Encerramento do VII Seminário Internacional é marcado por apresentação de projetos e espaços que atuam no fomento da cultura e do meio ambiente
- viiseminariobaciac
- 27 de mai.
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Atualizado: há 7 dias
As rodas de conversa da tarde trouxeram diálogos sobre as experiências do território

Na tarde de sábado, a programação do VII Seminário Internacional Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe Patrimônio Dá Humanidade - Patrimônio e Infância dialogou sobre as ações existentes no território que fomentam e fortalecem a cultura e o meio ambiente.
A primeira roda de conversa, intitulada "Experiências do Território", foi mediada por Maria Conceição Lage, arqueóloga, conselheira científica da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O debate contou com a participação de Valéria Carvalho, membro do Terreiro das Pretas, do Crato (CE), e da Mestra Bizunga, do Quilombo Carcará, de Potengi (CE).
A arqueóloga Maria Conceição Lage iniciou a conversa ressaltando que “o território não é um espaço físico, é um espaço vivo” e que é preciso ter a “cabeça bem aberta” para enxergar esses locais como espaços de memória viva e de continuidade histórica.
Ao final de sua fala, ela reafirmou a honra de contar com a presença das convidadas como mulheres quilombolas representantes de suas comunidades, reconhecendo a importância de suas trajetórias de luta e resistência, bem como o protagonismo desses povos na preservação do conhecimento, patrimônio, memória e de seus modos de vida.
Valéria Carvalho, representante do Terreiro das Pretas, iniciou destacando a necessidade de evidenciar as construções coletivas que protegem o patrimônio. Em seguida, exibiu um vídeo sobre as vivências no território do quilombo e sobre a relevância da valorização da ancestralidade.
Em sua fala, Valéria também reforçou a importância de dar visibilidade aos quilombos em toda a sua diversidade, contribuições e potencial: “Vir até vocês, pesquisadores, é dizer: venham a nós”, comentou.
Mestra Bizunga, coordenadora e guardiã do Toré na comunidade quilombola de Carcará, contou sua trajetória de origem com orgulho de suas raízes. A Mestra também resgatou a história do surgimento do Quilombo Carcará e afirmou: “De ser o que eu sou não tenho vergonha; do que eu passei, do que eu passo, do que eu não passo... e tenho orgulho de ser o que eu sou”.

A segunda roda de conversa da tarde debateu o tema “Território em Rede: Patrimônio, Turismo e Meio Ambiente na Chapada do Araripe”. Rachel Gadelha, presidente do Instituto Dragão do Mar (IDM), foi a mediadora da mesa, que contou com as participações de Charmene Rocha, do Complexo Ambiental Mirante do Caldas (CAMC), de Barbalha (CE); Eduarda Alves, produtora cultural e coordenadora de Ação e Produção do Complexo Ambiental Caminhos do Horto (CACH), de Juazeiro do Norte (CE); e Lucinha Rodrigues, da Escola Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira, do Crato (CE).
Rachel Gadelha, presidente do Dragão do Mar, falou sobre a importância de ter um olhar sensibilizado sobre os três equipamentos culturais que atuam no território. “Cada um deles tem uma identidade, uma singularidade, um território e uma vocação. E isso só é possível porque existe um governo que apoia a cultura e tem esse tato com a cultura local”.
Eduarda Alves, coordenadora do CACH, ressaltou o papel do equipamento na Chapada do Araripe em integrar cultura e natureza. “A gente fala muito sobre a cultura e a natureza de maneiras apartadas. Mas elas também são múltiplas de várias formas, por causa da troca de saberes e aprendizados vindos da Chapada do Araripe”.
A produtora cultural do CACH também destacou que o turismo sustentável é essencial para atrair visitantes, permitindo que o conhecimento produzido na região seja valorizado e reconhecido devido à sua importância.
“A gente não acha que a Chapada do Araripe deve receber o título de Patrimônio da Humanidade apenas porque é bonito, mas sim para que, por causa desse título, a palavra do território possa ser espalhada para todos, e que ele seja cuidado da maneira que tem que ser”, disse Eduarda.
Lucinha Rodrigues, diretora da Escola Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira, afirmou que o equipamento cultural é um espaço formativo no campo da música para crianças e adolescentes. A escola foi fundada pelo Padre Ágio Augusto Moreira, que viu o potencial da região para o ensino do universo da música clássica e instrumental.
“O Padre Ágio resolveu distribuir violinos e partituras em uma comunidade de trabalhadores rurais porque ele entendia, naquela época, que o gosto por esse tipo de música não pertencia apenas a um perfil de pessoa”, destacou Lucinha.
Com 26 cursos ofertados em 90 turmas, a Escola Vila da Música formou cerca de 500 estudantes. Como reflexo desse trabalho, as atividades do equipamento alcançaram mais de 16 mil pessoas no ano passado.
Desde 2024, a instituição adota um programa de bolsas estudantis que garante a permanência, a dedicação e o suporte aos grupos artísticos. “É uma política importante da escola porque, quando falamos sobre evasão escolar, muitas crianças e jovens desistem dos estudos porque precisam trabalhar. Então, a gente precisa fortalecer e disputar esse espaço, e a política de bolsas ajuda a diminuir esse número”, ressaltou a professora.
Charmene Rocha, gestora do Complexo Ambiental Mirante do Caldas, comentou como o equipamento é importante para a candidatura da Chapada do Araripe, funcionando de forma multidisciplinar no ensino, na pesquisa, na cultura e no turismo.
Ela também pontuou que o Caldas se tornou um geossítio reconhecido pela Unesco em um ano, mas ressaltou que o título perde o sentido se não houver a valorização da comunidade. “É uma comunidade que tem sua tradição e seus saberes. A partir do momento em que estamos tendo esse espaço de fala e contribuição, se esse trabalho não chega nas pessoas, ele está fadado ao fracasso”, comentou a gestora.

Logo depois, Thiago Allis, professor e pesquisador de turismo da Universidade de São Paulo (USP), realizou a leitura da Carta de Recomendações da Rede Unesco UniTwin Cultura, Turismo e Desenvolvimento. O documento refletiu a experiência dos pesquisadores membros da organização no VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe, que teve como tema “Patrimônio e Turismo de Base Comunitária”.
Na ocasião, Thiago apresentou o documento desenvolvido pela Rede no workshop de 2025. O encontro evidenciou a relevância dos símbolos territoriais da Chapada do Araripe, destacando os museus orgânicos, o Geopark Araripe e as ações desenvolvidas pela Fundação Casa Grande.
O relatório elaborado no workshop contempla considerações dos aspectos gerais da candidatura ao Patrimônio Mundial da UNESCO e análises do turismo em paralelo com a dimensão territorial da Chapada do Araripe. “Fico na torcida para que o Cariri corra o mundo e que mais gente tenha a chance de chegar até aqui”, concluiu Thiago.
Ao final da leitura, o pesquisador Thiago Allis chamou Dayane Freitas, diretora presidente da Fundação Casa Grande, e Sabrina Veras, diretora de Programação Social do Sesc Ceará, para cumprir simbolicamente a entrega do relatório produzido pelos pesquisadores da UniTwin após visita à Chapada do Araripe.

Anna Beatriz, diretora da Fundação Casa Grande e produtora da TV Casa Grande e da Lume, leu a carta do seminário, contendo as observações sobre as lições aprendidas durante esta sétima edição.
“Hoje as crianças da Chapada do Araripe são herdeiras diretas dessa sabedoria milenar. Ao aprenderem sobre os Kariri, elas não estudam um povo extinto, mas reconhecem em si a mesma continuidade de uma linhagem de existência. A ancestralidade é o combustível que alimenta o protagonismo infantil, conferindo às crianças a autonomia para falar em nome de um território desde o início dos tempos. Elas são as novas vozes de uma história antiga que se perpetua”, reflete Anna Beatriz.

O encerramento do VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe foi conduzido por Júnior Santos, turismólogo e representante da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri; Fabiano Piúba, secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura do Brasil; Alemberg Quindins, gestor cultural e criador da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri; e Sabrina Veras, diretora de Programação Social do Sesc Ceará.
Júnior Santos, representante da Fundação Casa Grande, compartilhou a prestação de contas do evento com os indicadores alcançados. Em sua fala, ressaltou a necessidade de garantir a transparência e a humanidade no VII Seminário.
Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, explicou a origem da inspiração para a identidade visual do evento. A identidade visual foi inspirada na arte Anauá, utilizando como referência a pintura de um antropomorfo com mãos erguidas e orientadas para o leito do Riacho Soledade, na divisa entre os estados do Ceará e da Paraíba, no município de Mauriti.
“Nossa programação visual não é feita por nós, é feita pelo homem da pré-história. São eles que estão fazendo a nossa programação visual”, comentou Alemberg.

Após a finalização dos debates sobre o Patrimônio e a Infância na Fundação Casa Grande, ocorreram as apresentações dos Grupos de Tradição Popular: Coco da Mestra Marinês, Coco do Toré do Quilombo Carcará da Mestra Bizunga, e Coco do Quilombo dos Sousa da Mestra Maria de Tiê. Todas as performances aconteceram no Passeio Público Cultural Dra. Rosiane Limaverde.
Mais informações sobre o VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe podem ser conferidas nas redes da Fundação Casa Grande, como no Instagram e no canal do YouTube.
O Seminário é uma realização do Sistema Fecomércio Ceará, por meio do Sesc, com organização da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri.





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