VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe trouxe conversas sobre as experiências do território do Cariri
- viiseminariobaciac
- 24 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de mai.
Os debates da tarde do segundo dia fomentaram discussões pertinentes sobre as boas práticas de preservação existentes na Chapada do Araripe

A programação da tarde começou com a primeira roda de conversa sobre as Experiências do Território. O momento contou com as participações da apicultora Laís da Silva, da Associação dos Apicultores da Chapada do Araripe, e de Vilmar Lermen, do Agrodóia de Exu (PE).
Laís da Silva trabalha com a perspectiva da agroecologia voltada para as abelhas nativas e integra o Lavida, o primeiro museu orgânico de agricultura familiar da Chapada do Araripe. Além disso, ela compõe o grupo de 31 famílias da rede “Chapada Apis” (Associação de Apicultores e Apicultoras da região), que cooperam entre si através da troca solidária, para garantir maior sustentabilidade à atividade agropecuária local.
“A apicultura é um trabalho familiar e por isso que eu reconheço que a transmissão de saberes é aproveitar enquanto o saber ainda está vivo, porque daqui a pouco a gente não consegue dar continuidade a este trabalho e oferecer isso para as próximas gerações como uma forma de perpetuação de memória” - destaca Laís.
Vilmar Lermen, agroecólogo do Agrodóia de Exu, visa fortalecer a agricultura familiar na região por meio de práticas sustentáveis baseadas em sistemas agroflorestais. O especialista ressaltou que o trabalho da comunidade agrícola deve ser valorizado e, para garantir a continuidade dessas ações, ministra cursos de reflorestamento para as famílias locais, contrapondo-se ao modelo do agronegócio que degrada o meio ambiente.

A segunda roda de conversa sobre as Experiências do Território contou com a presença de Allysson Pontes, diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri. Ele compartilhou sobre as ações da instituição, que fomenta a conexão do patrimônio com a infância ao transformar as crianças em guardiões do território e mediadoras da Chapada do Araripe.
Plácido Cidade Nuvens, que foi prefeito de Santana do Cariri, decidiu fundar o museu após conhecer o trabalho da Fundação Casa Grande. A partir dessa inspiração, ele idealizou um cenário onde as crianças são as verdadeiras protagonistas do patrimônio fossilífero, transformando o espaço em uma escola viva da Bacia do Araripe.
O programa do museu atende crianças e adolescentes da rede pública de ensino de Santana do Cariri, que podem receber bolsas de extensão PIBEX-JÚNIOR e de educação básica promovidas pela Universidade Regional do Cariri (URCA).

A terceira roda de conversa com o tema “Chapada do Araripe Patrimônio Dá Humanidade”, teve as discussões pontuadas por Fabiano dos Santos Piúba, Secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura do Brasil; e Alemberg Quindins, Gestor Cultural e criador da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri.
Fabiano Piúba citou o pensamento do ambientalista e filósofo indígena Ailton Krenak, que afirma que 'o futuro é ancestral'. Ele traçou um paralelo entre essa ideia e as crianças da Fundação Casa Grande, destacando que elas são as verdadeiras protagonistas da instituição e da candidatura da Chapada do Araripe a Patrimônio Dá Humanidade.
“A Chapada do Araripe é um começo, um meio e um começo. E ela passa por essas gerações, como a avó, a filha e a neta. E é por isso que a mina espiritual de nossa candidatura é a infância” - refletiu Fabiano.
Alemberg Quindins acrescentou que o agronegócio está devastando a vida da Chapada, mas que existem experiências concretas que estão lutando pela sobrevivência no território. “Nós precisamos fazer com que esses espaços sejam espaços de fala, mas por pessoas que estão falando porque tem o trabalho. Porque eu não faço nada por resistência, e sim por existencia”.

Após essas reflexões, aconteceram as apresentações dos Grupos de Tradição Popular.
A primeira apresentação foi a do grupo Reisado Caretas de Potengi. Ministrado pelo mestre e brincante Antônio Luiz de Souza, o grupo se utiliza de máscaras artesanais que são esculpidas em couro, madeira ou feitas de flandres e fuxico.
Sediado no sítio Sassaré no município de Potengi, ele cruza gerações unindo a devoção aos Santos Reis e a irreverência das brincadeiras populares, consolidando-se como um patrimônio vivo e pulsante da cultura imaterial da Bacia do Araripe
A segunda apresentação foi com o Reisado São Francisco, que traz uma performance característica por vestimentas ricas em cores, espelhos e fitas, coroando os personagens clássicos como o Rei, a Rainha, os Entremeios e os icônicos Mateus.
Através de seus cordões, rimas improvisadas, danças de espadas e o ritmo compassado do tambor, o Reisado São Francisco cruza gerações mantendo viva a memória e a herança dos festejos de Reis na região.
A terceira apresentação foi com o Maneiro Pau do Mestre Cirilo. Sob a liderança do Tesouro Vivo da Cultura, Mestre Cirilo, o grupo preserva com maestria essa dança tradicional de ritmo acelerado e forte herança afro-indígena, caracterizada pelo bate-papo sincopado de bastões de madeira (os paus) empunhados pelos brincantes.
O dia terminou com a celebração musical do Coral da Universidade Federal do Cariri (UFCA), com o espetáculo: "Canção para a Chapada".

Mais informações sobre o VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe podem ser conferidas nas redes da Fundação Casa Grande, como no Instagram e no canal do Youtube.
O Seminário é uma realização do Sistema Fecomércio Ceará por meio do SESC com organização da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri.





Comentários