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Rodas de conversa destacam experiências ambientais no território da Chapada do Araripe

  • viiseminariobaciac
  • 24 de mai.
  • 4 min de leitura

Na tarde desta quinta-feira (21/05) aconteceram os diálogos de pesquisadores e especialistas sobre ações de preservação na Chapada do Araripe


Plateia durante a 1ª roda de conversa da tarde
Plateia durante a 1ª roda de conversa da tarde

A primeira roda de conversa dialogou sobre o “Refúgio de Vida Silvestre do Soldadinho-do-Araripe”, com os palestrantes Carlos Augusto de Alencar, chefe do Núcleo Gestor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na região do Cariri cearense, e Weber Andrade de Girão e Silva, biólogo e fundador da Reserva Particular do Patrimônio Natural Oásis Araripe (RPPN).


Carlos Alencar, chefe do Núcleo Gestor do ICMBio, explicou o conceito das unidades de conservação, que garantem a proteção da biodiversidade, dos recursos hídricos e das paisagens naturais, agindo para preservar os ecossistemas das ações humanas degradantes. Uma de suas reflexões foi sobre o soldadinho-do-araripe, pássaro símbolo da floresta. 


“Nossas fontes naturais são essenciais para que o soldadinho-do-araripe possa tomar banho, se refrescar e evoluir. Se forem depredadas ou poluídas, a espécie será completamente prejudicada”, apontou o biólogo.


Weber Girão, membro da RPPN Oásis Araripe, reforçou a importância da preservação da espécie, que chegou a integrar a lista de animais ameaçados de extinção em 2003. Ele destacou a necessidade da luta pelas unidades de conservação para assegurar a sobrevivência da fauna local a longo prazo.


“O nosso próximo desafio é fortalecer a área de proteção ambiental da Chapada do Araripe por meio de um plano de manejo que beneficie a agricultura familiar e o uso sustentável dos recursos naturais, buscando o reconhecimento do território como patrimônio natural da humanidade”, destacou Weber.


Carlos Alencar discursando o seu projeto durante a roda de conversa
Carlos Alencar discursando o seu projeto durante a roda de conversa

A segunda roda de conversa foi sobre Experiências no Terrítório. Ela contou com as participações de Leandro Pajeú, do Centro Cultural Chapada da União (Exu-PE), e Selma Ribeiro, da Associação FIBRARTE (Missão Velha-CE). Ambos apresentaram suas experiências com o artesanato e como esse trabalho fortalece a transmissão de saberes e a geração de renda. 


Selma Ribeiro, que é artesã, encontrou na fibra da bananeira o sustento para sua vida. Já Leandro comentou sobre o papel do Centro Cultural Chapada da União, destacando como a cultura movimenta a região a partir de manifestações religiosas significativas, como o culto ao Beato José Lourenço e a renovação do Sagrado Coração de Jesus. Ele também ressaltou a atuação das bordadeiras locais: “O bordado deu visibilidade e protagonismo às mulheres da nossa comunidade”.


Selma Ribeiro durante a roda de conversa
Selma Ribeiro durante a roda de conversa

A terceira e última roda de conversa do dia foi mediada pelo historiador Alênio Alencar, com a participação de Antônio Alencar, idealizador do Encontro Saberes da Caatinga, e Francisco Campello, membro da Fundação Araripe e engenheiro florestal.


Antônio Alencar, historiador, falou sobre a trajetória dos Saberes da Caatinga, projeto que se tornou referência nacional em medicina popular ao mapear os conhecimentos de raizeiros(as), mezinheiras, rezadeiras, parteiras, benzedeiras e mestres de cura. “Essa caminhada vem sendo feita em todo o Brasil e em países como Argentina e Peru. Ela acontece como um encontro em que trazemos luz a esses saberes, atendendo ao interesse das comunidades que caminham conosco”, explicou . 


Ele também acrescentou que a Chapada do Araripe é o palco perfeito para o evento, visto que o Ceará reúne diversos protagonistas de práticas curativas tradicionais.


Francisco Campello, membro da Fundação Araripe, pontuou que o descuidado com a conservação da caatinga situada no território da Chapada do Araripe é prejudicial para o meio ambiente, porque enquanto ainda se adota o modelo de tirar a caatinga para plantar um pastejo caprino, quando o pasto arbóreo é muito mais sustentável e mais estratégico do que o cultivo do capim.


“Invés da gente utilizar a tecnologia para favorecer, estamos utilizando de uma forma não muito estratégica, pois estão colocando sais minerais no solo para que o animal possa detonar o solo e refazer o plantio, o que é prejudicial para o meio ambiente” - comentou o engenheiro florestal.


Antônio Alencar, Francisco Campello e Alênio Alencar na roda de conversa (da esquerda para direita)
Antônio Alencar, Francisco Campello e Alênio Alencar na roda de conversa (da esquerda para direita)

No final do dia, os participantes do VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe vivenciaram o cortejo e as apresentações dos Grupos de Tradição Popular. As celebrações começaram com a Banda Cabaçal Irmãos Aniceto, que tem cerca de 200 anos de história, mantendo viva a tradição que combina a sonoridade dos pífanos e dos tambores.


Em seguida, ocorreu a apresentação do Reisado Reis de Congo do Mestre Aldenir. Liderado por José Aldenir, o grupo está ativo há mais de 50 anos e preserva a cultura popular por meio de cantorias, danças e indumentárias coloridas. O terceiro grupo a se apresentar foi o Bacamarteiros da Paz do Mestre Nena, que traz performances com armas do cangaço herdadas culturalmente do grupo de Bacamarteiros do Beato José Lourenço.


O primeiro dia do seminário foi encerrado com a celebração musical da Orquestra de Sanfonas de Exu.


Mestre Nena durante apresentação do grupo Bacamarteiros da Paz
Mestre Nena durante apresentação do grupo Bacamarteiros da Paz

Mais informações sobre o seminário você pode conferir nas redes da Fundação Casa Grande, como no instagram e no canal do Youtube.


O Seminário é uma realização do Sistema Fecomércio Ceará por meio do SESC com organização da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri.





 
 
 

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